Premiado desde o primeiro ano de vida, o bar da Gema é comandado pelos chefs Luiza Souza e Leandro Amaral, que são formados em Gastronomia e se revezam na criação de receitas inusitadas a partir de clássicos – o grande barato da casa. Há alguns meses, além do cardápio fixo da casa, é possível experimentar petiscos, sanduíches e pratos especiais em dias específicos da semana. Segundo a própria Luiza, a ideia era justamente permitir que quem gosta de tira-gostos tradicionais de boteco vá à casa com quem prefere as releituras criadas por eles. Para fazer este post, fiz cinco visitas ao bar, ao longo de duas semanas, e comprovei que: 1) colocar a própria identidade em petiscos criativos vale a pena; 2) as noites temáticas são um sucesso de público; 3) o atendimento continua sendo um problema, mas saborear os pratos ameniza o incômodo.

Às terças-feiras é dia de comidinhas de boteco bem tradicionais, como sardinha, jiló, ovo colorido, língua e moela, mas a estrela dessas noites é mesmo a coxinha de galinha (R$ 6), de interior úmido e temperado com uma crosta crocante deliciosa. Como ela só é servida nestes dias, parece que fica ainda mais especial e pude ouvir ao menos duas mesas fazendo comentários a respeito. Nada de catupiry ou requeijão por aqui – e eles não fazem a mínima falta.

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Às quartas-feiras é dia do Bistrôquim, um dia dedicado à receitas novas, com um toque gourmet, normalmente executados pelo Leandro. No dia da visita, o prato era rabada de boi com legumes e cebola roxa servido com farofinha de milho com linguiça e bem temperada (R$ 23). Incrivelmente saboroso, impressionante mesmo. O prato serviria bem a duas pessoas, mas devorei sozinha e sem dó. Nestes dias, as criações são vendidas entre R$ 18 e R$ 25, um preço acessível principalmente levando em conta o quanto são bem servidas. O prato da semana seguinte é sempre uma surpresa, que às vezes é revelada no Instagram do bar.

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Às quintas-feiras é a vez do bolovo (R$ 12 – ovo envolto em carne moída) e dos sanduíches. No menu especial, cachorro quente com linguiça mineira levemente apimentada, servido com molho de pimentões e tomate (R$ 18); hambúrguer de peito de boi com compota de berinjela e queijo (R$ 20) e sanduba de carne assada (R$ 20). Foi o dia que menos gostei: o primeiro lanche eu provei na casa e estava salgado para o meu paladar. Pedi maionese e consegui equilibrar um pouco o sabor, mas se fosse um molho da casa tenho certeza que ficaria bem melhor. Os demais eu levei para viagem e também esperava mais – o hambúrguer tinha um toque adocicado que não me agradou e a carne assada estava extremamente seca, pela ausência de molho. A melhor parte das marmitinhas foi a batata rústica, que acompanha o burger, e estava saborosa e perfeitamente cozida.

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O saldo é para lá de positivo: a iniciativa valoriza a pegada gastronômica do boteco, que tem cervejas “comuns” e artesanais sempre geladas, mas não deixa de lado as delícias que conquistam os clientes. O único conselho é mesmo ir sem pressa, para evitar qualquer estresse pela demora de algum prato ou pela confusão no atendimento. A simpatia e o sabor compensam.

Da Gema
Rua Barão de Mesquita, 615 – lojas C e D, Tijuca
(21) 3549-0857

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